quarta-feira, 9 de março de 2016

BIPOLARIDADE DO MUNDO

BIPOLARIDADE DO MUNDO

O historiador Eric Hobsbawm afirmou que o século XX foi breve, começou em 1914 e terminou antes da virada cronológica do século, em 1991. O mundo, em seus últimos anos, viveu intensas modificações com catástrofes, incertezas e crises. A visão cartesiana bidimensional, departamental e fracionária mudou para a visão newtoniana com um ponto de vista espacial, com novas dimensões, mais holístico, influenciando Fritjob Capra a enxergar um paralelo entre a ciência ocidental com o misticismo oriental. Os conceitos básicos de gestão vão buscar fundamentações em Aristóteles. A ciência se entrelaça com a metafísica de Kant e as anotações de Vitrúvio.  Ciência e religião são duas paralelas que se encontram no infinito.
O foco do mundo concentrava-se no hemisfério norte e no lado ocidental. O foco hoje é para o hemisfério sul e para o lado oriental. Paulo Freire em seus escritos já criticava as terminologias de expressão, nortear e norteamento, entendo que seus significados ocultos seriam olhar para os EUA, entendia ser o mais correto usar as terminologias, sulear e suleamento correspondendo a olhar para o Brasil, olhar para a América do Sul. O que era técnico passa a ser humanístico. Os funcionários das empresas, agora chamados de colaboradores, são capacitados e passam a participar do pensamento das empresas, no nível tático, a evolução da Revolução. As empresas já são vistas como organizações providas de sistemas tal como o corpo humano onde os órgãos funcionam interdependentes, tanto a saúde da empresa e do corpo é um bem estar geral. Não há saúde completa quando um órgão, um sistema, um setor ou departamento vai mal. A qualidade de vida, agora é voltada aos colaboradores, usuários, cooperados, fornecedores e parceiros, um ganho para a sociedade, a sustentabilidade que vai garantir vida às gerações futuras.  Depois de tanta ciência e tanto pragmatismo vale repetir a frase de Marx e Engels: “tudo que é sólido se desmancha no ar e todo sagrado é profanado’”. As ditas verdades vão se tornando um conceito impopular, a cultura humana vem trocando o relativismo pelo pluralismo, porque a verdade verdadeira é única, imutável. A Bíblia, livro universal traz ensinamentos e lições de negócios, gestão, administração e governança, vida coragem e mensagem, por Woolfe.
As teorias passaram do Fordismo ao Toyotismo, novas chaves de leitura são propostas, as palavras e a criatividade de Shigeo Shingo já são ouvidas. Mal começamos o século XXI e o mundo passa por mudanças aceleradas a partir do 11 de setembro, quando todo o planeta norteou seus olhares para as torres gêmeas. O profissional que vinha sendo denominado de gestor já vem sendo redenominado de estrategista, já que necessita conhecer um conjunto de situações empreendidas pela humanidade. Saímos da produção agrícola passamos pela produção industrial e vivemos a produção intelectual, a propriedade intelectual que transmite conhecimento e informação.  As faculdades já não formam técnicos, mas cabeças pensantes, mentes capazes de tomar a decisão certa, a tomada de decisão do “poder” decisório. Bourdieu entendeu a busca do máximo saber e conhecimento  como uma luta pelo monopólio da competência científica. Mas continuam as velhas posições, de presa e predador, caça e caçador, rei e súdito, dominador e dominado. A águia e a galinha de Leonardo Boff. 
O Yin e Yang dos chineses, masculino e feminino, macho e fêmea, o dia e a noite, a terra e o céu. O sim ou não incansável dos computadores
Desde a idade média sempre existiram as três classes, três funções, as que combatem, as que dirigem e as que oram, descritos por Demurger. Determinam uma escala de poder, reescalonados e redenominados a cada época, buscando formas de dominação, mesmo sendo as simbólicas como descreveu Bourdieu.
O intelecto é a máxima momentânea, o conhecimento, o saber, a informação, que está armazenada no ciberespaço. O pensamento gira em torno de práticas comunicacionais e mercadológicas.  Gestão da informação, teoria do conhecimento e epistemologia estão em voga. Wheelwrigh descreveu três grandes incompletudes da humanidade: o nosso conhecimento do cosmo que nunca é completo; a nossa compreensão das outras pessoas que não é completa e a compreensão de nós mesmos que também não é completa.
A América Latina unida e consciente desponta com perspectivas de uma participação no mundo globalizado vem relatando Carriquiry Lecour. Estudos avançados em neurociências são realizados no instituto internacional presidido por Nicolelis no RN e outro instituto internacional está sendo implantado, o de energia eólica. A ampliação e renovação do porto marítimo em Natal/RN, um novo aeroporto internacional em São Gonçalo do Amarante/RN. Surge então uma possibilidade de mudar o eixo brasileiro de produção e consumo, de sul-sudeste para talvez norte-nordeste. Para que isto aconteça reformas são necessárias, a exemplo a situação da Itália, vivida e vivenciada por Gramsci, que era exatamente a que é o nordeste no Brasil, fato contextualizado por Carpeaux. A missão de conduzir ao futuro caberá aos mestres em estratégias, 

Roberto Cardoso (Maracajá)
Analista de Qualidade 
Reiki Master & Karuna Reiki Master
Produtor Cultural e Ativista Cultural

Texto publicado:
Jornal de Hoje em 3 de setembro de 2012
Natal/RN

MARKETING DE GUERRA NA BATALHA DA ROBERTO FREIRE

MARKETING DE GUERRA NA
BATALHA DA ROBERTO FREIRE

Século passado, Segunda Guerra Mundial, o lançamento de panfletos por aviões foi um dos meios de se combater, manejando e manipulando a informação de amigos e inimigos em zonas ocupadas, nos diversos teatros de guerra. E as mesmas armas estratégicas de marketing não poderiam faltar na Batalha da Avenida Roberto Freire.
Milhões de panfletos foram lançados por aviões no decorrer da última Guerra Mundial (Lilian Mascarenhas). Existe uma pista de aviões desativada dentro do Parque das Dunas, uma área militar pertencente ao Exército, protegida por leis federais. Lançar panfletos pela Avenida Roberto Freire poderia acarretar prejuízos na fauna e flora do parque, uma multa pela prefeitura e descrédito das faculdades. As estratégias são os outdoors. Produzidos por recursos humanos. Os exércitos produtores de acontecimentos e conhecimentos, outras faculdades que não se encontram no teatro de guerra, a Avenida, são obrigados a aumentar doses de ataques. E como aqui acontece uma guerra que não produz nem mortos e nem feridos utilizam as armas de marketing colocando outdoors em espaços à frente dos inimigos fazendo-os perderem espaço visual na avenida, ao mesmo tempo em que promovem um recrutamento. 
Em atitude desesperadora, com a carga emocional trazida pelo fim do milênio (in Nivaldo Junior). Buscam belas imagens que passam mensagens subliminares, sabendo que o primeiro enquadramento gráfico é mais potente que o segundo. Não só a cidade, mas a avenida está repleta de outdors dos já citados exércitos, desta batalha, com imagens em close de formandos e formados, felizes, com traços fisionômicos belos. Ao mesmo tempo em que especialistas oferecem novas estratégias de inovação em recursos humanos.
Um avião americano de patrulhamento e pesquisa vem sobrevoando a região de Natal e Parnamirim ultimamente, o P-3 Orion. A grande vedete das novas carreiras implantadas, em novos cursos, remete a imagens de guerra, Florence Nightingale (1820-1910). Florence é um marco na história da enfermagem por mudar o paradigma no tratamento de doentes e feridos, participou como voluntária na Guerra da Criméia (1853-1856). Um símbolo brasileiro tornou-se ícone da nossa enfermagem, Ana Nery (1814-1880), participou como voluntária da Guerra do Paraguai, onde acompanhou os filhos (in Baptista e Barreira). Nightingale percebia e entendia que o asseio, a limpeza e o cuidado seriam essenciais na recuperação de enfermidades, pouco a pouco a ciência foi justificando as razões. A Missão Rockfeller troxe este novo modelo de cuidados no Brasil, durante o governo de Getúlio Vargas (in Franco Santos), foi a presença americana no Brasil tal como acontecida na Segunda Grande Guerra. A sociedade está enferma com carência de conhecimento e informação. Um novo paradigma se faz necessário.
Ainda vivemos uma época tecnicista em que só acreditamos no que é visível. Em coisas visíveis, e nas inalcançáveis, sob lentes de microscópio ou telescópio. Pelo mundo espalhou-se que o mundo terminaria em 2012, Hércóbulos ou planeta vermelho (in Rabolú), calendário Maia e Nibiru foram algumas citações. Não acreditamos no que possa estar ao nosso lado ou simplesmente nossos olhos não vem. O mundo que conhecíamos está acabando, com uma enorme velocidade dos acontecimentos e informações, surge a Nova Era.

Roberto Cardoso
Produtor Cultural e Ativista Cultural | Reiki Master & Karuna Reiki Master
Nova Parnamirim – Parnamirim/RN

Texto publicado:
Jornal de Hoje em 27 de agosto de 2012
Natal/RN

Conflitos de gênero na Batalha da Roberto Freire

Conflitos de gênero na Batalha da Roberto Freire

Organizações vem enfrentando desafios a tornarem-se e continuarem produtivas tendo condições de manterem-se no mercado. Buscam ambientes flexíveis e adaptados a constantes mudanças. Diversificam seus quadros funcionais tornando-os mais heterogêneos. (Capelle).
No princípio o homem, com seu espírito de aventura e desbravamento abriu (o)s caminhos para novas descobertas. Com o passar d(o)s tempos estes caminhos foram sendo caminhados, repassados e o homem deixou de descobrir e desbravar para voltar onde já tinha ido, e os caminhos tornaram-se (a)s trilhas. As trilhas deixaram de ser transitadas somente pelo homem, mas pelo homem e (a) sua prole. As proles se instalaram e formaram (a)s cidades, onde o homem novamente abriu (a)s ruas e (a)s avenidas. No princípio do Universo era Deus. E o homem é um enviado de Deus. 
A Avenida Roberto Freire, que um dia já foi Estrada de Ponta Negra,  foi batizada com um nome que caracteriza o gênero masculino. Nome de um(a) família d(a) terra, tal como a de Gilberto Freyre, o sociólogo do sertão. Instalaram-se ali (a)s empresas, (a)s escolas, (a)s faculdades e (a)s concessionárias de automóveis. Empresas se instalaram na Roberto Freire. E (o)s poderosos, (o)s donos d(o) saber, donos d(o) conhecimento e donos d(o) poder se apossaram d(a)s instalações. Esqueceram quem detém (a) informação. A teoria feminista pós-moderna fundamenta-se em tecer críticas ao conhecimento e a informação (Callas & Smircich, in Capelle)
O homem, gênero masculino e não espécie conduz a empresa com um(a) administração ortodoxa, tradicional, baseada em conceitos e afirmações, com inflexibilidade. O mundo, o universo tem que estar em equilíbrio de forças e energias. 
Uma empresa para atingir o seu público alvo, (o) seu cliente é necessário estar em equilíbrio com estas forças e energias. È necessário uma administração holística. Para alcançar a gestão de qualidade é necessário ter qualidade de gestão.  
Mas os homens, cuja vida terrestre é breve, por não saberem harmonizar as causas dos tempos idos, e das gentes que não viram nem conheceram, com as que agora vêem e experimentam e, como também veem facilmente o que no mesmo corpo, na mesma hora e lugar convém a cada membro, a cada tempo, a cada parte e a cada pessoa, escandalizam-se com as coisas daqueles tempos, enquanto aceitam as de agora. (Santo Agostinho)
Hoje a partir da linha de pesquisa da Avenida Roberto Freire no RN encontramos de um lado da via, justamente do lado onde podemos ainda encontrar sinais da Mãe Natureza com sua fauna e sua flora mesmo por cima das areias ou terras formadas pelas dunas uma reserva natural com resquícios da Mata Atlântica. Onde quem sabe talvez os cientistas descubram que por baixo daquelas dunas há um grande cetáceo. Encontramos ali diversas coordenadoras de cursos em uma universidade federal conduzida por uma Reitora, numa cidade administrada por uma Prefeita que por sua vez tem uma Governadora que faz parte de uma Federação presidida por uma Presidenta.
Não é à toa que o símbolo representativo do sexo feminino é um circulo com uma cruz voltada para baixo, posicionada como uma intenção de fixar, de ancorar à Terra. Ao
contrário o homem tem como símbolo uma seta voltada para cima dando uma noção de antena como uma das hastes da seta (antena) voltada ao universo e a outra voltada para a superfície da terra. Recebendo mensagens e informações  do espaço e retransmitindo a quem está na superfície terrestre. Fazendo a conexão, um link do Universo com a Terra.

Roberto Cardoso (Maracajá)
Reiki Master & Karuna Reiki Master | Produtor Cultural e Ativista Cultural  

Texto publicado em
20 de agosto de 2012 no Jornal de HOJE
Natal/RN

terça-feira, 1 de março de 2016

Jabutis em árvores (parte 5)

Jabutis em árvores (parte 5) 



Uma faculdade não vai transformar um aluno em um bom profissional, muito menos no melhor profissional do mercado. Não é a melhor nota em uma prova que define o melhor aluno. Mas com o investimento diário em assuntos diversos. É com informações múltiplas, que se constrói um conhecimento, um saber.
Alunos investem em um conhecimento extraclasse: conversando, lendo livros e folheando revistas. Pesquisando na internet e intranet. Por TVs abertas e fechadas, por teatros e cinemas. Viajando e conhecendo novos lugares, outras pessoas, vivenciando situações. E a instituição de ensino ao final do curso se apropria da formação, da criação de um profissional. Notifica ter gabaritado um profissional com os últimos conhecimentos e inovações do mercado. 
O aluno transita entre a residência e a universidade, vê as ruas e o que acontece nas calçadas. O aluno leva o conhecimento para dentro da classe. Enquanto cientistas e professores vivem trancafiados em um laboratório, ou por traz de uma mesa, e com as costas voltadas para as janelas. Ambiente ótimo para que trabalha com nanotecnologias e nanoconhecimentos. Enxergam o mundo pelas janelas de seus computadores. Acreditam que a visão virtual seja uma visão real. 
Toda imagem postada e divulgada na internet tem a motivação e inspiração de quem postou. E a interpretação fica aos olhos de quem a vê. A internet não transmite emoções, transmite imagens e textos que podem ser interpretados com a situação emocional de quem ler ou ver. Situações emocionais associadas ao volume de conhecimento.
Bourdieu olhou e observou, pesquisou e tabulou. Analisou e concluiu que após cinco anos de formado, não importa mais a instituição que emitiu um diploma. O ex-aluno se constrói e reconstrói, nas ruas e nos mercados de trabalho. Não importa ser a melhor ou a pior instituição que cursou. O profissional certificado ou diplomado será um conjunto de conhecimentos adquiridos, e não exclusivos da atribuição de uma instituição.
O conhecimento é um patrimônio próprio, do indivíduo. Um capital que outro não pode se apropriar. Cada qual leva suas armas e bagagens por onde for. Noé colocou na arca o seu conhecimento, os animais que conhecia e sabia criar. Fez na arca um download de seus arquivos. Quando as águas do dilúvio baixaram, pode continuar suas criações. Soltou uma pomba que voltou com uma informação: a relva já renascia.
A universidade é estática, uma montanha para onde Maomé se encaminha diariamente, para responder uma chamada e cumprir um calendário de provas. Ao final do curso as faculdades se posicionam estrategicamente. Intitulam-se com o dever cumprido de colocar conhecimento em uma cabeça vazia. O entendimento de
aluno ser um ser sem luz (a-lunes). Visão que ficou perdida no tempo, na escuridão da falta de conhecimento. 
O professor se coloca em um lugar estratégico da sala. Pode ver todos os alunos à sua frente. Tem a lousa a seu alcance e o controle do aparelho multimídia em suas mãos. O controle da chamada de presença e das notas. Lugar de destaque para que todos os alunos possam olhar e admirar. Controlar e avaliar a turma. Tem circulação livre pela sala entre os assentos dispostos em filas e colunas tal como um pelotão a seu comando.
O conhecimento e a informação circulam pelas ruas e avenidas, fora do ambiente universitário. Está em livros e revistas, em bibliotecas e hemerotecas. Ao alcance dos dedos e nas palmas das mãos. O professor tem o dever e a missão de abrir janelas de conhecimento, sem fechar portas. Não impedir pensamentos transversais, por ideias interdisciplinares. Abolindo o discurso que determinado tema não faz parte da disciplina. Disciplina é para soldados indisciplinados. 
Santos e imagens. Uma instituição de ensino é um santo que emite uma imagem representada por um certificado ou diploma. Um pedaço de papal afirmando algo a respeito de um súdito que frequentou suas instalações. Um certificado ou um diploma produz uma área de conforto. A comodidade adorada da não necessidade de avaliação de um currículo de vida (Curriculum Vitae), ou uma bibliografia produzida. 
Existem os que se apropriam do comportamento da lebre ou do jabuti. Escolas e professores parecem ter se apropriado dos comportamentos da lebre justificado pela velocidade dos acontecimentos e da tecnologia. Apropriaram-se do comportamento, apropriando-se do tempo. Determinam o tempo dos alunos. Quanto tempo tem para estudar, quanto tempo tem para ler e pesquisar; e quanto tempo tem para responder o que foi demonstrado.  

 N  /RN ─  09/08/2014       
Texto produzido para:  O Jornal de HOJE – Natal/RN
Palavras Chaves: gestão; qualidade; conhecimento 
Palabras Clave: gestión; la calidad; el conocimiento 
Key Words: management; quality;  knowledge  
  
CMEC/FUNCARTE Cadastro Municipal de Entidades Culturais da Fundação Cultural Capitania das Artes  Natal/RN    
Roberto Cardoso   

Jabutis em árvores (parte 4)

Jabutis em árvores (parte 4) 

As fábulas são criadas e contadas para crianças com objetivo de criar valores, ideias e comportamentos em sua formação. Atos e atitudes para serem lembradas no decorrer da vida. No entanto, a cada momento da vida, podemos mudar conceitos e valores. A sociedade muda e mudam os conceitos e os valores. 
Em um mundo que se preconizava a velocidade, conceitos foram implantados de forma subliminar. Na corrida entre o jabuti e a lebre, venceu quem chegou primeiro. Quem chegou depois pode ter perdido vantagens e posições. O mundo hoje é outro, e prevalecem igualdades entre as classes, de lebres e jabutis, homens e mulheres; privilegiados e não privilegiados. Crianças e adolescentes; idosos e portadores de necessidades especiais conquistam seus espaços. Conquistam suas leis de atenção e proteção. 
E o jabuti lento precisa de uma carapaça para suportar aqueles que andam mais rápido, e sem noção pelas ruas. Outra fábula conta que por um tombo o jabuti quebrou seu casco, mas soube montar as partes quebradas e usar novamente. Ainda é possível juntar cacos e construir novas ideias, novas mobilidades e acessibilidades. 
Tomando por exemplo a cidade de Natal/RN e seus arredores, nos preparativos da Copa. Podemos perceber vantagens oferecidas aos velozes, com ações desproporcionais aos portadores de necessidades especiais e espaciais. 
Com a ideia de Copa do Mundo construíram-se mais pontes e viadutos do que passarelas para pedestres. Mais túneis para automóveis do que faixas de travessia de pedestres. Mais autopistas de alta velocidade do que sinais de transito, oferecendo oportunidades de travessia ao pedestre em avenidas de trafego intenso. Ofertaram mais espaço asfaltado ao transporte particular, muitas vezes individual, do que ao transporte coletivo. 
Aumenta a população de usuários nos coletivos com o passe livre de idosos e estudantes. Enquanto se mantém a mesma frota de ônibus. Aumenta a frota de carros e aumenta a facilidade na compra de um carro, e não aumenta a oferta de assentos nos coletivos. Cidadãos inconformados em pagar uma passagem, com o aperto dos ônibus, descem e no próximo ponto (parada) e compram um carro. Pagantes devem ter prioridade em assentos não reservados. Tal como os idosos, deficientes e gestantes tem prioridade com espaço e assento reservado. 
Comércios e comerciantes apropriaram-se das calçadas procurando proporcionar conforto a seus clientes motorizados, os supostos e esperados turistas. Criaram-se mais vagas de estacionamentos sobre as calçadas, do que calçadas como um espaço público para o transito de pedestres. Aumenta o número de carros diariamente sobre calçadas, diminuindo o espaço das calçadas sistematicamente.
Algumas calçadas foram remodeladas buscando mostrar uma acessibilidade com conceitos errados de mobilidade. Surge assim uma boa plataforma de obras para próximos administradores, consertar calçadas maquiadas. Terminou a Copa e os turistas se foram. Com as águas das chuvas a cidade removeu suas maquiagens.
Em Ponta Negra (Natal/RN), na principal avenida. Em frente a um shopping com produtos regionais e culturais, existe uma faixa de pedestre. No alto da via no mesmo local uma placa indicando velocidade máxima 70 Km/h. Como a faixa de segurança para pedestres está localizada em uma ligeira elevação na avenida, dificulta sua visualização pelos motoristas em ascensão na pista. Enquanto pedestres com ares de turista atravessavam, os carros se esforçavam e paravam, evitando um acidente internacional. Hoje o motorista que trafega em velocidade permitida, não respeita o pedestre na faixa, talvez por evitar uma freada brusca em poucos metros, entre o veículo e o pedestre em travessia. Exemplos de uma engenhosidade de transito, formulada por analistas e especialistas de escritório. Acreditam ver e entender a cidade de suas janelas em computadores.
A cidade ainda sofre pelos efeitos das chuvas, provocando alagamentos e inundações. Locais onde já não havia calçada suficiente, em dias de chuva, obrigam pedestres a circular pelo meio das ruas desviando de carros e poças, enquanto motoristas se acham no direito de provocar um banho de água de chuva e lama nos transeuntes. Outros motoristas bloqueiam o livre acesso entre ruas e calçadas, estacionando paralelo à guia, por vezes bloqueando rampas. Agora é preciso ser lebre para pular entre poças e carros dos jabutis com casco duro.
As reclamações sobre o transporte coletivo e a demora de espera em paradas de ônibus. Não são exclusivas de poucos ônibus circulando. Mas principalmente de investimentos no transporte motorizado e particular. As dificuldades do transito criam dificuldades para circulação não só de trabalhadores, mas principalmente de carros de policia e ambulâncias. Proporcionando atrasos no socorro e policiamento.
Administradores públicos criam mobilidade veicular em causa própria, já que possuem veículos oficiais de uso individual. E precisam de ruas e avenidas livres para esboçar suas importâncias ao desfilar para o público. Abusam de uma jactância e um poder conquistado pelas urnas. As eleições estão próximas, e os candidatos já começam andar devagar como jabutis entre os eleitores, tentando conquistar seus lugares em uma árvore. 
Entre Natal e Parnamirim/RN ─  03/08/2014

Jabutis em árvores (parte 3)

Jabutis em árvores (parte 3) 



O automóvel foi concebido, planejado e construído, para facilitar o deslocamento de pessoas, encurtando distancias e reduzindo o esforço físico, de quem transporta algo, ou é transportado. Foi idealizado para transportar pessoas, cargas e volumes, como uma evolução do tempo, e do transporte por tração animal. A força de seu motor é medida em cavalos, HP (Horse Power). E as velas dão início a sua combustão. O espanhol preservou uma escrita, denominando como ‘coche’, enquanto os ingleses mantém o volante na posição dos cocheiros. No Brasil ainda é comum manter carros em frente das casas, sobre as calçadas, como animais de montaria amarrados, aguardando seu dono. (Jack and JAC. JH em 10/09/12). Afinal todos querem mostrar que possuem um puro sangue.
A invenção do estribo facilitou o controle dos cavalos, e parte do controle do automóvel é feita com as pernas e os pés. Enquanto os transportes eram por veículos de tração animal, justificavam as paradas para descanso e/ou alimentação dos animais condenados a puxar carroças ou mesmo bondes. Hoje não justifica parar um carro para descanso de seus cavalos de potencia contidos em seu motor. Pare abastecimentos e arrefecimentos, de minerais e vegetais (óleos, gasolina e álcool de cana); água e reparos em cascos e ferraduras (rodas e pneus), novas estrebarias com outras ferramentarias. Existem os postos de automotivos. Com uma bandeira comercial, que os identificam de longe. Em estradas, há placas com mensagens visuais, que identificam os serviços oferecidos.
O homem inventa, e faz criações com objetivos. Da mesma maneira que os automóveis foram concebidos, planejados, e construídos, para facilitar transportes, assim foram os aviões, dirigíveis e outros meios de transporte. Um avião parado é uma aeronave que gera custos e prejuízos. Um avião pousa apenas manutenções e reaparos, para abastecimento e troca de tripulação. Descarregar e carregar ideias.
Pensando na lebre da fábula que o carro pode ter sido imaginado e construído. Assim um carro estacionado foge a lógica de sua concepção. Não justifica ficar em cima de uma calçada parado como um jabuti. Adquirir um carro pode provocar benefícios e problemas. Uma guia ou meio fio, formando um degrau indica que a calçada não é local de transito de automóveis. Uma faixa amarela contínua indica que não é permitido estacionar junto à guia naquele trecho de avenida. Condutores aprendem as regras de transito apenas para obter uma habilitação. Há uma komunicologia pelas ruas e calçadas que precisa ser compreendida e respeitada.
Para possuir um avião é necessário ter uma pista para pousar e decolar, e um hangar para guardar e fazer manutenções. Um trem precisa de trilho entre uma origem e um destino. Ter um carro é necessário ter uma garagem para guardar, e uma pista para circular. Ruas e avenidas têm custos, de construção e manutenção, limpeza e conservação. Daí vem uma necessidade de cobrar impostos a veículos
automotores que desgastam e usam ruas e avenidas (IPVA). Comodidade para abastecer, comprar e circular tem usos e custos, tudo tem um preço.
O uso das calçadas pelos automóveis, não estão incluídos na arrecadação do IPVA. Mesmo com o pagamento do IPTU, o proprietário do imóvel não tem direito sobre o uso das suas calçadas á frente de seus imóveis. Calçadas são destinadas a pedestres, e a melhor denominação das calçadas é passeio publico. Um espaço público, para livre circulação daqueles que não usam carros por opção ou por falta de condição. Daqueles que buscam seus destinos com uma locomoção própria. Para uso daqueles que não dispõem de veículos automotores movidos por combustíveis fósseis, mas das forças de suas mãos e braços, impulsionando suas duas rodas.
Proprietários e motoristas ao adquirirem seus problemas, seus veículos. Insistem em estacionar em calçadas ou passeios públicos, transferindo seus problemas para aqueles que circulam pelas calçadas, munidos de uma locomoção própria com auxílio das próprias pernas.  
Entre Natal e Parnamirim/RN ─  27/07/2014       
Texto produzido para:  O Jornal de HOJE – Natal/RN
Palavras Chaves: gestão; qualidade; conhecimento 
Palabras Clave: gestión; la calidad; el conocimiento 
Key Words: management; quality;  knowledge  

Jabutis em árvores (parte 2)

Jabutis em árvores (parte 2) 



O casco do jabuti tem estrutura para suportar pequenas árvores tombadas. Aguardar uma breve ou demorada decomposição de um arbusto derrubado. Talvez por uma tempestade ou por infestação de cupins, diversas podem ser as causas da queda de uma árvore. Enquanto o tempo da libertação não chega, vai se alimentando com formigas que passam ao seu redor, de caramujos que transitam ao seu alcance, ou de folhas que caem.
Pois o jabuti pode esperar até que as composições físicas, químicas e biológicas do vegetal se modifiquem, e tornem a árvore mais leve. Permitindo assim ao jabuti se desvencilhar do peso que suportava, sobre o casco. A força que o impedia de caminhar. Composições e decomposições que podem ser aceleradas e modificadas. Com períodos e alternâncias de chuvas e de Sol, quente e frio, baixa umidade e alta umidade no ar. Ou mesmo com uma participação insetívora roendo ou dilacerando o tronco. Insetos instalados na árvore tombada podem atrair animais insetívoros que vão de alguma maneira ajudar a dilacerar mais o vegetal, facilitando e acelerando, um processo de decomposição e transformação. Na natureza nada se cria; tudo se transforma; inclusive as ideias. 
As fabulas infantis trazem exemplos de comportamento. Enquanto uns se comportam como jabutis, outros se comportam como lebres. Enquanto a lebre da fábula correu e chegou mais rápido, o jabuti demorou mais para chegar ao local determinado. Mas que local? O que motivaria um jabuti e uma lebre, irem a um determinado ponto? Quem determinou um momento de partida? Quem determinou uma linha de chegada? Quem determinou que devesse acontecer uma corrida entre dois animais totalmente diferentes? Se as pessoas e os animais são diferentes, diferentes serão suas habilidades. 
Mas se realmente aconteceu uma corrida entre o jabuti e a lebre. Torna-se evidente que a lebre correria com vantagens. Chegaria antes do jabuti. E se o jabuti não chegou primeiro, teve tempo e oportunidade de observar as transformações à sua volta, perto e distante. Observou o caminho e a trajetória da lebre. 
A lebre só serviu para mostrar que é necessária uma velocidade para chegar a um ponto. E muitos impeliram este comportamento sobre os outros. Impeliram um comportamento de velocidade aos outros. E aliado à velocidade exigiram uma qualidade. Exercer tarefas com velocidade e qualidade, que podiam ser atingidas com foco e determinação. Olhar para o alvo a ser alcançado e com velocidade para chegar ao objetivo. 
O jabuti chegou ao mesmo ponto com a experiência de observar tudo o que aconteceu a sua volta. O jabuti que esperou a modificação físico-química; esperou a transformação biológica do tronco sobre a sua carapaça. Enquanto estava
imobilizado pela árvore, alimentos devem ter transitado ao seu alcance. Situações aconteceram diante de seus olhos, perto e distante. Aromas e visões, audições e sensações, provocaram saberes e sabores.
Uma nova fabula foi criada, a fabula da FIFA. Cidades sedes fizeram modificações estruturais na arquitetura urbana. Modificações que as colocariam prontas a disputarem a chegada de turistas e investimentos. Modificações que as diferenciassem de outras cidades, que já disputavam visitas e viagens, turistas e investidores. As cidades sedes começaram um trabalho de modernização e acessibilidade, que não ficaram totalmente prontos para a Copa do Mundo.
As cidades sedes continuam com suas obras de modernização e acessibilidade. Cada cidade sede, pouco melhorou, e ganharam novos concorrentes, com destaques na mídia mundial, as outras cidades sede. E cada cidade sede tem os mesmos problemas, terminar obras e resolver as mesmas questões de modernidade e acessibilidade, com concorrentes em mesma situação, a disputa continua.   
Entre Natal e Parnamirim/RN ─  20/07/2014